Mensagem à Ouvidoria Fazendária 26 outubro, 2008
Posted by ronaldoangelini in Uncategorized.trackback
Encaminhei a mensagem abaixo à Ouvidoria da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e ao Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás, Sr. Joel de Sant’ Anna Braga Filho (gabinete@sectec.go.gov.br). O assunto é o concurso docente da UEG recentemente protocolado na Sectec.
Se você quiser encaminhar também uma mensagem sobre o assunto, vá ao site da Sefaz, clique em “fale conosco”, depois “Ouvidoria Fazendária” e coloque sua mensagem.
Observação: a mensagem pode ter apenas 200 caracteres e encaminhei um link para este post. A mensagem recebeu o número de protocolo 261008161630-5.
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Prezado Senhor
Meu nome é Ronaldo Angelini, sou professor da UEG em Anápolis e doutor em Ecologia.
Recentemente a UEG protocolou na Sectec o documento que trata do concurso público docente com a seguinte distribuição de vagas: 189 para especialistas, 187 para mestres e 99 para doutores (475, no total).
Embora sabendo que esta foi a demanda requerida pelas diferentes Unidades Universitárias da UEG, gostaria de lembrar alguns pontos muito importantes:
a) Uma das obrigações de um professor universitário é participar de editais de fomento à pesquisa e com isto arrecadar recursos externos para a Instituição. Nestes editais, incluindo aqueles realizados pela Sectec e Fapeg, a titulação mínima exigida é de mestre. Assim, a contratação de especialistas reduz a probabilidade da UEG de captar estes recursos, incluindo principalmente os do Governo Federal, nos quais só profissionais com doutorado podem participar (as exceções a esta regra são cada vez mais raras);
b) Para qualificar devidamente um especialista, a UEG necessita conceder-lhe afastamento integral de cinco anos (dois para o mestrado e três para doutorado). Há recursos no tesouro estadual para isto? Não é mais fácil, barato e rápido, contratar um doutor ou mestre já formado? Inclusive para depois, colaborarem na formação de outros mestres e doutores?
c) O Brasil forma 10 mil doutores e 25 mil mestres por ano. Desta forma, desde que a UEG foi criada, quase 90 mil doutores e 220 mil mestres foram formados no país e, em Goiás. Diga-se de passagem que, muitos ex-alunos da UEG já se pós-graduaram em mestrados e até mesmo doutorados. Como hoje o salário da UEG é similar ao das Universidades Federais, tenho certeza que a boa divulgação deste concurso pode atrair um grande contingente de professores pesquisadores qualificados. Porém, a abertura de quase duzentas vagas para especialistas, desanima estes profissionais ao concurso, pois mostra que a Instituição não tem real interesse em pessoal qualificado e depois, mesmo que um mestre ou doutor preste a prova numa vaga de especialista (e seja aprovado), é sabido que haverá um período no qual o professor não receberá conforme sua real categoria acadêmica.
d) São pouquíssimas as áreas sem mestres ou doutores disponíveis no mercado, talvez apenas Administração/Contabilidade e Arquitetura.
e) O salário de especialista, como não poderia deixar de ser, é menor que o de mestre ou doutor, assim, este profissional irá sempre trabalhar em outro lugar para complementar seus vencimentos oriundos da UEG. Isto acontece não porque ele assim o deseja, mas por pura necessidade. É um fato. Então, a Universidade (ensino-pesquisa-extensão) torna-se um “colégio de terceiro grau”, na medida que o ensino deste profissional não é parte de sua própria reflexão como pesquisador, já que ele não a faz, pois não foi treinado para tal, isto é, não se qualificou. Isto afeta a qualidade do ensino e o desenvolvimento da Universidade.
f) Entendo que a UEG tem autonomia para escolher sua demanda, mas esta autonomia requer a consideração de que seu quadro de pessoal é composto de 80% em regime temporário e suas decisões carecem, quase sempre, de um olhar atemporal da Instituição e das finanças do Estado de Goiás.
g) Por último, mas não menos importante, não estou dizendo que um professor-doutor é melhor em sala de aula ou mais inteligente que um especialista, mas, por ter passado pela “liturgia” acadêmica, ele é o único qualificado para, orientar, escrever projeto, arrecadar recurso externo e, por fim, alavancar a UEG, desonerando o Estado de Goiás, já que os financiamentos são maiores da parte do Governo Federal. O especialista ainda vai requerer que o Estado lhe pague toda a sua formação, que hoje é um pré-requisito para o ensino universitário.
Obrigado por sua atenção
Ronaldo Angelini
1 – Cópia desta mensagem foi encaminhada ao Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás.
2 – Cópia encaminhada para o Presidente da Fapeg, Leonardo Guedes (leonardo.guedes@fapeg.go.gov.br) e ao diretor científico Clecildo (clecildo@iptsp.ufg.br).
Prezado Prof. Ronaldo.
Concordo plenamente com tosas as suas palavras, salientando ainda, que são fatos como este, que demonstram o grave momento que estamos vivenciando em nossa UEG. As vezes eu fico me perguntando por que as pessoas fazem essas coisas: será que é por causa do dinheiro? ou simplesmente pelo poder? ou talvez para favorecer alguns apadrinhados?. Sinceramente ainda não encontrei uma resposta razoavel.
Por outro lado, foi pensando justamente em evitar ao máximo a ocorrencia desse tipo de problemas, que estamos propondo em nosso programa de trabalho, a criação de um “CONSELHO GESTOR” em cada unidade da UEG, que deverá ter a função de planejar, administrar e gerir todas as questões financeiras, administrativas e pedagógicas de cada unidade; inclusive a definição de critérios para concursos destinados a docentes ou técnicos-administrativos.
Abraços cordiais.
Eurípedes (Bill)
Candidato a Reitor
Caro Bill
Pelo que você escreve é perceptível a sua ojeríza quanto a destinação de vagas do concurso da UEG para professores especialistas.Sendo assim você não acha desonesto de sua parte pedir votos aos especialistas nesta eleição para reitor? Com todo o respeito mas acho que você está meio fora da órbita eleitoral da UEG. Talvez fosse melhor vc se candidatar a coordenador do seu curso na Unucet e não a reitor da UEG.
Atenciosamente
Carlos Silveira
[...] O Diretor Científico da Fapeg, Clecildo Barreto, respondeu ao meu email que enviei a FAPEG, sobre o número excessivo de vagas para especialistas no concurso da UEG para docentes. Veja neste post. [...]
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